• Cláudia Faria

Ser Mãe de um dinossauro

Atualizado: 29 de Ago de 2020

Quando decidi avançar com o blog ainda o meu filho estava na fase de dinossauro (já lá vai o seu tempo e, quanto ao blog, nem vê-lo).

Agora que finalmente saí da procastrinação optei por manter o nome que escolhi para o blog, "Parenting a Dinosaur" porque apesar da personagem de dinossauro ter sido abandonada e de ter correspondido a mais uma fase intensa na ainda curta vida do meu pequeno, diz muito sobre a sua personalidade e retrata-nos muito bem enquanto mãe e filho e a forma como vivemos enquanto família.

Sempre achei piada às crianças que gostam de se disfarçar de dragões ou dinossauros e, no meu íntimo, sempre aguardei ter um filho nessa fase (putos fixes!). No entanto, connosco, foi um pouco diferente do que alguma vez possa ter imaginado.

Não se tratou de gostar de disfarces e fazer uns rugidos estranhos e de brincar aos dinossauros. Não! O meu filhote encarnava mesmo na personagem, com uma intensidade surpreendente, conseguindo permanecer na mesma durante horas! A sério, horas! Juro que parecia um ator treinado, capaz de absorver a energia da personagem de modo a caracterizá-la com maior perfeição.

Esta personagem foi vivida entre os 3 anos e meio e 4 anos e meio, mais coisa menos coisa, e ainda surgiram algumas personagens de substituição (gato, mandril) mas estas já não terão sido vividas com tanta intensidade e, apenas terão sido usadas como recurso. O Mandril, por exemplo, é uma boa desculpa para quando a energia está em altas, tão em altas, que o puto nem se aguenta e desata a fazer asneirinhas (puto esperto, ou não?).


É de referir que nunca interferi neste processo de construção de personagens, deixei fluir e segui a criança, respeitando a sua criatividade a desabrochar e observando as suas manifestações, no sentido de perceber se poderia enquanto adulto apoiar alguma necessidade em específico da criança.


Com isto quero dizer que não tentei apagar a personagem nem tentei influenciar com ideias de adulto (criança não precisa de adultices, o mundo da criança já é mágico por si só, não precisa ser estragado pela ideia de imaginação, fantasia e criatividade que o adulto constrói depois de ter perdido a sua própria "criança", lá atrás quando saiu da infância para a pré-adolescência).


Uma das coisas mais valiosas que tenho aprendido com Maria Montessori foi o famoso trio, ou seja, "observar", para poder "seguir" os "interesses da criança", servindo as suas necessidades para que o seu desenvolvimento decorra no seu pleno.


Algo que já acreditava com bastante convicção, confirmado pela nossa Maria é que a criança é um ser completamente distinto do adulto, ou seja, a criança não pensa nem sente o mundo da mesma forma que o adulto, pelo que também não pode agir como um adulto. Devemos intervir apenas se a criança estiver a ter comportamentos que a possam ferir a si mesma, a outro ou ao ambiente em seu redor, caso contrário, é deixar que toda a sua essência se manifeste.

Na minha visão, a criança é um ser capaz de criar mundos imaginários vividos intensamente e não carece da influência de uma "imaginação" tão limitada como a de um adulto.

Esta poderá, até mesmo, ser prejudicial à criança, ao bloquear um processo criativo que ocorre naturalmente (teria o mesmo efeito quando se interrompe uma criança para melhorar o seu desenho no papel, porque o adulto acha que aquela cor favorece mais ou que o desenho deve ter esta ou aquela particularidade).

Esta conversa toda só para explicar o porquê do nome do blog, espaço onde pretendo partilhar as minhas reflexões acerca da infância, as minhas vivências enquanto mãe de um menino que, um dia foi dinossauro. Irei também partilhar algumas atividades que fazemos cá por casa e dar a minha opinião/sugestão acerca de alguns produtos (materiais, livros) favoritos.


Espero que se divirtam nesta viagem tanto quanto eu me divirto a partilhá-la convosco.

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