• Cláudia Faria

O que fazer quando o ambiente preparado não resulta?

A resposta é simples:

Observar a criança, tentar perceber se está a passar por algum período sensível ou schema em específico, ou vários até e, preparar o ambiente em conformidade!


Sei disto tudo, não ando a virar estes frangos há 2 ou 3 dias mas, mesmo assim, consegui um Montessori big fail ao tentar ignorar um dos schemas mais pronunciados que o meu filho está a passar. Este big fail, passou-se com a cozinha de brincar que preparei para o meu filho que, por si só, não estaria alinhada com o Método Montessori, é importante esta ressalva.


Apenas lhe chamo Montessori big fail, porque esta cozinha de brincar nasce da observação da criança e das suas características, pelo que, o que tem de Montessori aqui, é o facto de estar a "seguir" os interesses da criança.


Ainda virei a falar um pouco mais sobre este assunto num outro post, para se perceber melhor porque é que no Método Montessori não se usam cozinhas de brincar, porque é que isso está certo para um ambiente escolar e porque é que eu sinto que em casa deve ser diferente (para nós, claramente tem de ser diferente).


Ora bem, então a dona Cláudia achou que iria correr muito bem preparar uma cozinha de brincar para o filho, ali no cantinho de sempre, e que o mesmo iria brincar com os materiais disponíveis, sem desatar a misturar água e terra em todas as suas comidinhas..

Claro que sim, dona Cláudia, claro que só iria correr bem!


Não, claro que não correu bem. Eu sei que o meu dinossauro está a passar por um schema de forma bastante intensa, o da transformação, ou seja, a necessidade dele em experimentar misturas, principalmente com água, terra e pequenos objetos é imensa.


Mas, até aqui, tudo bem, poderia ter feito pequenas adaptações. No entanto, o sr dinossauro decidiu que o espaço na nossa sala onde tínhamos a quinta de brincar seria o ideal para preparar uns cozinhados para os animais. Para além de ter reparado que a brincadeira de preparar comidinhas para os animais ou mesmo com os animais (os desgraçados dos insetos e das rãs fartam-se de ser cozinhados), reparei na importância que a proximidade à janela estava a ter neste processo, já que ele por várias vezes colocou os pratinhos sobre o parapeito da janela. Vejam só as provas do crime nas imagens abaixo.




A minha solução foi falar com o pequeno dinossauro para decidirmos em conjunto mudar a cozinha para esse espaço na sala e colocar a quinta onde estava a cozinha anteriormente. Assim, disse-lhe: "já reparei que gostas de fazer os teus cozinhados aqui, mas neste móvel da quinta não pode ser porque assim o móvel vai-se estragar. Amanhã trazemos a cozinha para aqui e mudamos a quinta de lugar, para poderes fazer os teus cozinhados à vontade sem que o móvel se estrague".


O dinossauro concordou e, enquanto não mudei a cozinha de lugar, não me deixou descansar. E o resultado foi fantástico! Quando ficou tudo pronto, o pequeno dinossauro só dizia o quanto adora a nossa casinha, passou 2 dias a dizê-lo.


Em baixo, podem ver algumas imagens da nossa nova cozinha de brincar. Note-se que fiquei com menos estantes disponíveis e tive que remodelar as restantes estantes de atividades (mostro tudo num próximo post).





Ainda houve uma tentativa de levar as comidinhas para a quinta, mas bastou explicar que se ele quisesse podia trazer os animais para a cozinha para eles poderem comer e, por enquanto, a quinta está a sobreviver às mistelas.


Já agora, umas imagens da nossa quinta onde costumava ser o espacinho da cozinha de brincar. Entretanto, o espaço que ainda está vazio irá servir de apoio ao trabalho das estações do ano (depois mostro tudo!!).



Parece uma história simples, mas é importante perceber que nem sempre o adulto consegue entender que o problema não está na criança mas sim, no não entender a criança, nem as suas necessidades.


Imagino que, muitos adultos, ao se depararem com esta situação, tentassem resolvê-la privando as suas crianças daquilo que elas mais precisam (neste caso água, terra, e outros elementos), protegendo o ambiente mas, privando a criança das suas necessidades básicas em termos de desenvolvimento ou, então, que tentassem disciplinar algo que vem, não de uma falta de educação, mas do instinto ou da essência da criança.


Normalmente estas privações trazem conflitos entre adulto e criança e só levam a frustrações para ambos, sendo que, na criança, o impacto que terá na sua formação enquanto indivíduo é enorme.


Acreditem que é muito mais fácil lidar com misturas de água, terra e, tudo o que possam imaginar, num espaço escolhido para o efeito, do que privar a criança das suas necessidades e ter de lidar com conflitos desnecessários entre adulto e criança.


Não se trata de fazer as vontades à criança mas sim de garantir que a mesma possa crescer e desenvolver-se de forma saudável, ao poder brincar com o que realmente necessita e não com o que o adulto pensa ou imagina ser o correto mas de forma controlada, num ambiente delimitado para o efeito e com possibilidade de estragos mais limitada.


No próximo post vou mostrar em detalhe a nossa cozinha de brincar e todos os materiais que temos na mesma, contextualizando com os dois schemas preponderantes pelos quais o meu dinossauro está a passar.


Se não sabes o que são schemas, aconselho uma pesquisa rápida no google com as palavras-chave "schemas for toddlers" e encontrarás a informação necessária para entender o conceito. Aconselho esta pesquisa pois tem sido um salva-vidas para entender e conseguir dar resposta às necessidades de desenvolvimento do meu pequeno dinossauro.

É mesmo daquelas informações que todos os adultos deveriam estar a par para poderem lidar de forma mais fácil com os seus pequenos.







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